quarta-feira, 14 de maio de 2008

O papel da Educação na sociedade Tecnológica

A educação tem um papel crucial na chamada "sociedade tecnológica". De fato, é unicamente por meio da educação que teremos condições, enquanto indivíduos, de compreender e de se situar na sociedade contemporânea, enquanto cidadãos partícipes e responsáveis. E as novas tecnologias devem ser compreendidas como elementos mediadores para a construção de uma nova representação da sociedade. Geralmente, as discussões em torno das novas tecnologias e de sua influência na sociedade, em todos os setores e dimensões, se apóiam sobre uma certa exaltação deste tema, atribuindo-lhe praticamente o estatuto de novo paradigma fundamental, futuro regulador das interações sociais, culturais, éticas e profissionais numa nova sociedade que urge em tomar forma. Mas, qualquer que seja a ótica das discussões sobre o assunto, é inegável, e isto vem sendo repetido continuamente, que precisamos aprofundá-lo, pois suas repercussões sobre nossa sociedade ainda não foram suficientemente exploradas.

Raquel de Almeida Moraes Doutora em Filosofia e História da Educação pela Unicamp.Professora do Departamento de Planejamento e Administração da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.Vice-coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas da Plataforma Lattes do CNPq em Aprendizagem, Tecnologias e Educação a Distância.

Sociedade, educação, tecnologia e os usos nos processos educativos.

Uma aproximação à questão

As relações entre o homem e o meio sempre foram mediadas pelas tecnologias vigentes em cada momento histórico. Desta forma, elas tiveram um papel fundamental na revolução agrária, a qual fixou o homem a um espaço geográfico, movido pela possibilidade de semear a terra. Assim, deixamos de ser nômades. Este fato não teria sido consumado sem as ferramentas criadas pelos humanos. A idéia original foi utilizar as tecnologias com o objetivo de mediar as relações humanas com a natureza para proporcionar melhorias no bem estar coletivo. Entretanto, a medida que nos fixamos para semear a terra e que nos mantivemos em um mesmo lugar por longos períodos de tempo, começou a exploração da natureza pela humanidade, materializada, nesse caso, pelo esgotamento do solo.

Na Revolução Industrial, que ao longo do tempo foi concentrando a humanidade em grandes cidades, o uso das tecnologias assumiu conotações mais fortes. Entre todas as transformações introduzidas nas relações sociais e no modo de vida das pessoas de uma forma geral, merece destaque, o surgimento da classe operária e a conseqüente perda que tiveram os artesãos de suas ferramentas de trabalho (tecnologias), pois essas tornaram-se “obsoletas” por não mais servir aos novos modos de produção. Como resultado, o trabalhador (artesão) deixou de conhecer todo o processo de fabricação dos produtos que manufaturava (conhecimento geral e amplo) para ser um operário fabril, com qualificação apenas para inserir uma determinada peça em um lugar específico e predefinido por outro (conhecimento restrito e "especializado").
A sociedade atual é caracterizada por múltiplas denominações, como a sociedade em rede (Castells, 1997), a revolução semiótica (Dieterich, 1999), além de outros termos mais utilizados como sociedade pós-moderna, sociedade da aprendizagem, sociedade da informação, sociedade do conhecimento e muitíssimas outras adjetivações, mas o importante é que, qualquer que seja a denominação, sua "marca registrada" é a compressão do tempo e do espaço, as quais viabilizam o rápido avanço da globalização econômica, que potencializa cada vez mais a separação entre os que têm acesso aos bens produzidos por esse modelo sócio-econômico daqueles que estão à margem desse processo. Para isto contribui significativamente, as tecnologias da informação e da comunicação.

Texto: Henrique Moura Dante

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