Os índios do Acre
As populações indígenas do Estado do Acre vivenciaram, nos últimos cem anos, um processo histórico que promoveu profundas mudanças nos seus modos de vida. A chegada do não-índio foi sucedida por muitos conflitos e choque com as culturas aqui existentes. Muitas etnias que antes existiam não existem mais, muitas línguas faladas não sobreviveram à ocupação não índia na região. As sociedades indígenas acreanas, do ponto de vista da língua e da cultura, são hoje minoritárias.
A região onde hoje está situado o estado do acre, já estava ocupada muito antes da chegada dos colonizadores, por índios pertencentes a diversos grupos. Estima-se que antes do contato com os não indígenas existiam mais de 50 povos indígenas. Atualmente se tem noticia de dezesseis grupos, conhecido oficialmente em contato com a sociedade "Branca” pertencentes às famílias: Arauk, Pano e Arawá.
O Acre também é uma região com índios sem contatos. Com 25 anos de luta pelos seus direitos, os índios do acre já conquistaram 28 terras indígenas no estado. Dessas, 13 estão regularizadas, 4 registradas,6 demarcadas,1 declarada,1em definição e 25 estão interditadas. Estas 28 terras estão distribuídas em 11 municípios do acre e apupando uma área aproximadamente de 21.092.570 hectares. Estima-se que a população indígena no acre seja aproximadamente 10.562 indivíduos.
Esses povos tinham a sua própria história, seus modos de vida, sua cultura e tradições, sua religião e sua sabedoria. Muitos destes povos desapareceram, subjugados pela violência e doenças desconhecidas trazidas pelo branco. Tempo das malocas, das correrias, do cativeiro e dos direitos.
Tempo da antiguidade.
A longa história do povoamento humano da América e do Acre começa entre 20.000 e 12.000 anos atrás, por grupos humanos vindo da Ásia. Segundo alguns pesquisadores, nessa época a Amazônia era uma ampla extensão de savanas, com apenas algumas manchas de floresta ao longo dos rios. Com o passar do tempo, o clima do planeta começou a esquentar. Isso ocasionou um aumento da umidade e expansão dos sistemas florestais, favorecendo a proliferação de uma forma terrestre e aquática de pequeno porte.
Assim. Foi nesse tempo de profundas mudanças climáticas que novas formas de organização surgiram, pois os povos pré-históricos passaram a contar com recursos alimentares mais diversificados, além de começar a praticar o plantio de raízes (principalmente mandioca), fabricar cerâmica e a ocupar os lugares por um tempo mais prolongado. São vestígios dessa época, os sítios arqueológicos existentes no Estado. Sítios de povos ceramistas em sua maioria, que incluem os sítios com grandes formas geométricas de terra, que variam entre 350 a 150 metros de diâmetro, construídos principalmente em áreas de terra firme. Mas não só, por todos os vales acreanos centenas de sítios arqueológicos. Da.
Tempo das malocas
É o tempo da vida dos indígenas antes do contato com o cariú (homem branco), antigo para os índios do Acre e do sudoeste do Amazonas. Portanto, o tempo das malocas é o mais É um tempo muito longe, que vem desde o começo do mundo tempo das histórias de antigamente, dos mitos.
Tempo das correrias
Com a implantação dos seringais, os índios tiveram suas terras invadidas e seu povo perseguido para ser aprisionado, expulso ou exterminado. Os primeiros exploradores começaram a chegar à região acreana a partir de 1860. Milhares de homens, vindos de toda parte do Brasil e do mundo, passaram a subir os rios estabelecendo imensos seringais em suas margens. Nessa época, teve início à verdadeira corrida pelo ouro negro, a borracha extraída da seringa e depois defumada. Em poucos anos, os povos nativos da região se viram cercados, sem ter para onde fugir e como resistir à enorme pressão que vinha do capitalismo internacional, cada vez mais ávido por esse produto. Os povos indígenas eram visto como obstáculos da exploração da borracha começaram a ser dizimados através das chamadas correrias, expedições armadas feitas com o objetivo de matar as lideranças das aldeias, aprisionar homens e obter mulheres para serem vendidas para seringueiro. O ritmo da exploração da região só aumentou, levando ao extermínio inúmeros grupos indígenas, que por vezes eram exterminados por colaborarem com os brancos, se submetendo ao risco de doenças a qual não tinham imunidade.
Tempo do cativeiro
No tempo do cativeiro os índios eram aprisionados e obrigados a trabalhar nos seringais. O primeiro ciclo da borracha foi época de formação dos grandes seringais, Alguns grupos, para não desaparecerem, tiveram que adotar algumas formas de vida dos brancos, ou seja, passaram a construir casas caboclas (modelo utilizado pelo branco), a depender de armas, de ferramentas diferentes das suas, a falar o português e muitas vezes o espanhol (aprendido com os peruanos e bolivianos).
A maioria dos patrões tratava os índios pior do que tratavam seringueiros nordestinos. Como não sabiam ler e entendiam pouco o português, os índios eram constantemente enganados, desde o peso da borracha até a compra de mercadoria nos barracões. Com isso, acumulavam enormes dividas nos seringais e nunca tinham saldo, transformando-se em prisioneiros dos seus patrões.
Tempo dos direitos
Durante décadas de cativeiro os povos nativos do Acre sofreram uma enorme degradação e perda da sua cultura tradicional, preconceito da sociedade não-índia, a expropriação de suas terras, a falta de políticas de assistência à saúde, à educação, levou-os a uma grave condição econômica e social.
Os primeiros indícios de mudanças começaram em 1976, com a instalação da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) no Acre e sul da Amazônia, dando início a demarcação das terras dos povos nativos do Acre. Surgiram, então, em diversas aldeias as primeiras cooperativas que proporcionaram condições objetivas para que as comunidades se libertassem do domínio dos patrões.
Podemos imaginar os conflitos que surgiram nesse processo, pois os patrões não estavam dispostos a abrir mão daquilo que acreditavam que tinham direito. Isso resultou em muitas emboscadas, histórias de pistoleiros e jagunços, mortes anunciadas ou não. Nesse contexto, surgiu a Aliança dos Povos da Floresta-formada por índios, seringueiros e ribeirinhos que representou um grande avanço na luta contra a exploração predatória das florestas acreanas.
Espaço de valorização da Cultura dos Povos
Indígenas do Acre
Hoje no acre, em especifico na capital, Rio branco existe vários espaços de valorização e resgate da cultura indígena. Como a casa dos povos da floresta, biblioteca Ministra Marina Silva, Palácio Rio Branco, dentre outros.
A Biblioteca da Floresta Ministra Marina Silva propõe a valorização dos povos do saber tradicional presentes no Estado. Para tanto, uma exposição composta por um conjunto de painéis com texto e fotografias das dezesseis etnias indígenas do Acre (Ashaninka, Jaminawa Arara, Katukina, Poyanawa, Madija, Manchineri, Apolima Arara, Jaminawa, Kaxinawa, Nawa, Nukini, Yawanawa, Apolima, Kaxarari, Shanenawa e Arara) traçam um breve relato da história indígena acreana.
Hoje, no Brasil os indígenas vêm conquistando cada vez mais espaço na sociedade, a pesar de serem vistos ora de forma preconceituosa, ora de forma idealizada. Contudo, é importante frisar que o índio brasileiro vem para as cidades em busca de melhoria, mais não deixa de ser índio. Nesse sentido, eles como cidadão brasileiro lutam por uma vida digna, e assim vão ocupando espaços dentro da sociedade, como é o caso Zeca pataxó nomeado Secretário Municipal Extraordinário de Desenvolvimento do Município de Santa Cruz Cabrália,( no saite índios on line).O acre foi o primeiro estado Brasileiro a nomear um índios como secretario de estado (Francisco Bianko,da etnia Ashaninka).
Verônica Rodrigues Lopes.